viernes, 1 de mayo de 2015

AH, QUANTA MELANCOLIA

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"Ah quanta melancolia
Quanta, quanta solidão
Aquela alma que vazia
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração
Que angústia desesperada
Que mágoa que sabe a fim
Se a nau foi abandonada
E o cego caiu na estrada
Deixai-os que tudo é assim
Sem sossego, sem sossego
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu."

Fernando Pessoa, 1924