jueves, 17 de noviembre de 2016

MUNICIPALISMO LUSO

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"Desde logo podemos perceber a diferença entre o município, tal como foi efetivado no Brasil, e o concelho lusitano que lhe deu origem. Homens práticos, sem bagagem doutrinária, sem os esquemas teóricos ao gosto dos reformadores políticos, os portugueses aqui chegados souberam, com admirável plasticidade, adaptar-se ao meio ambiente. Na capacidade de adaptação e de assimilação jamais encontraram os homens de Portugal quem se lhes avantajasse.
Podemos perceber a diferença entre o município de aquém e de além-mar, sem perdermos de vista a sua identidade fundamental. Em ambos parte-se da família. Em ambos há o mesmo fundo sociológico do ruralismo. Em ambos está a célula política. O Rei unido aos concelhos forma o cerne da monarquia portuguesa. E o Brasil desde o primeiro momento adquire esse caráter de um todo constituído por unidades locais ligadas ao poder central. As capitanias significam muito menos, pois vimos que o governo da capitania se contrai no das vilas. O Brasil configura-se politicamente sob o signo do municipalismo."
José Pedro Galvão de Sousa, Política e Teoria do Estado, São Paulo: Edição Saraiva, 1957, págs. 36-37).